Péssima notícia que venho compartilhar com meus
amigos médicos. A medicina praticada na Tanzânia vai de mal a pior. A população
não tem condição de bancar um sistema de saúde sequer razoável e o governo não
toma providencias pra construir hospitais ou centros de saúde que sirvam ao
atendimento popular. A situação aqui é pior que a fila da madrugada do Miguel
Couto.
Lembro que disse que o chinês Frank da casa pegou
malária e desembolsou a generosa quantia de oitocentos dólares por dois dias de
internação. Unindo ao fato também afirmado de que 85% da sociedade vive com
menos de um dólar por dia, vamos a matemática (eita). Partindo do um dólar por
dia, seria necessário que o cidadão laborasse seguidamente por oitocentos dias
pra bancar dois dias de hospital. Essa conta foi difícil, hein.
Existe lentamente a introdução de um sistema de plano
de saúde na Tanzânia. No entanto, os planos de saúde e seguros em geral são
considerados “itens de segunda necessidade”. Ou seja, a conta apertou, a
primeira conta a se cancelar é a desse plano. Principalmente se os médicos
credenciados são pouquíssimos e a mensalidade/anuidade continua sendo bastante
cara.
Por isso, aproveito o gap pra lembrar que quase toda a população faz uso de médicos
bruxos. A sabedoria milenar africana, mesmo considerada bruxaria (e portanto,
criminosa) continua sendo o socorro aos enfermos desta gigante nação de quarenta
e quatro milhões de cabeças. No museu, inclusive vi uma exposição de
“medicamentos” pra uma série de doenças. Pra problemas de pressão, o remédio do
museu era rastafári.
Foi desse recurso de médicos bruxos que se instaurou
uma das situações mais agressivas e violentas aos Direitos Humanos existentes
no mundo. Segundo tais camaradas, transplantar órgãos de um albino seria a
salvação pra qualquer problema de saúde possível e existente. Consequência: o
genocídio de albinos por todo o país, inclusive com sacrifício de crianças
recém-nascidas com esta rara condição.
Perto de onde morava, havia uma mulher albina que
servia a todos enchendo baldes de água de graça. Talvez essa tenha sido a
maneira de dizer que era uma pessoa útil ainda viva, gerando uma espécie de
compaixão nos locais que pretendessem assassiná-la. Além de violar praticamente todos os Direitos
Humanos juntos, reduzir uma existência ao mero objetivo de sobreviver não
deveria ser permitido em lugar nenhum do mundo.
Por isso, médicos, venham pra cá! Estamos
precisando de muita gente boa e qualificada pra aceitar o desafio de medicar a
África e gerar condições de saúde suficientes pra bagaça evoluir. Está lançado
o desafio. O site do médicos sem fronteiras é esse aqui. Se algum dos senhores
quiser fazer uma vivencia diferenciada das demás,
taí a oportunidade. Quanto vale o médico?
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