quarta-feira, 27 de março de 2013

Socialização Social: Parte 2


Gás voltou, macarrão sem queijo pra dentro. Países entrando em guerra, outros em situação de miséria. O mundo explodindo, discussões exacerbadas ao redor do globo. Pra qualquer lugar do mapa que se aponta, existe algum problema acontecendo. Nunca se passou por tempos de crise desta dimensão e todos se perguntam: quem lava a louça?

O sistema até funciona. Tirando aquele sentimento gostoso quando alguém pega o último gole de água da garrafa de plástico, some com uma camisa sua ou come aquele alimento que você estava guardando na geladeira por uma semana só pra se deliciar después. Ou até aquele outro quando não há tomada disponível na casa pra carregar seus “equipameintos” (leia à paulistana). Ou ainda quando alguém bota o secador de cabelo na tomada e explode o curto. Episódio narrado em tempo real, acabou de acontecer.

Compartilhando o tempo ocioso, criei junto com os locais e a alemã um vídeo espetacular pra uma feira de carreiras da AIESEC. Custou quatro dias, contando com o planejamento necessário e o script. Trata-se de um stop motion sobre o evento, convidando os alunos (estima-se mil alunos). Tá pronto, mas não tenho a peça no computer por agora. Nos próximos dias puxo do YouTube sem falta.

Por falar de sharing, compartilhei uma gripe nada legal nos últimos dias. Devido à contribuição de todos ao gargalo da garrafa, a gripe se prolifera na casa mais rápido que peste bubônica. Daí a atualização em ritmo irregular, ainda que diária. A suspeita de malária é a primeira aposta, mas malária não entope nariz. Nunca fiquei tão feliz de não sentir o gosto de nada.

Situação desesperadora me ocorreu nesta semana. Fiquei na dúvida se deveria botar aqui ou não, mas acabei de decidir. A casa conta apenas com um banheiro funcionando pra todos os moradores, certo? E o que fazer quando o único sistema de saneamento da “residença” entope? Junto com a gripe veio uma consequência estomacal punk rock.

Como a água consumida é vendida em garrafas de até dez litros, aproveitei a criatividade brasileira pra dar um jeito. Cortei a parte de cima da garrafa grande e improvisei um vaso sanitário. Posso afirmar com certeza que foi a pior experiência “banheirística” da minha vida. E você, já abraçou seu assento hoje? Pelo menos sorri pro espelho do toalete, vai.

O dia foi de muita chuva. Por isso, elaborei uma nova técnica de lavar a roupa. Disponho apenas de baldes e sabão em pó, então funciona assim: misturar sabão com água (óóh), colocar todas as roupas e deixar de molho. Nada novo, até a parte de pendurar as roupas ensaboadas pra chuva tirar o sabão. Se mamãe não lava, mamãe natureza dá conta do recado.

Amanhã devo encontrar a coordenadora do projeto pela última vez e comprar a passagem apenas de ida pra Moshi. Além do Kilimanjaro pertinho, dizem que a cidade tem vários pontos interessantes pra se visitar. Enquanto isso, vou me despedindo da casinha que tanto contribuiu comigo. Mesmo com os ratinhos comendo o meu pãozinho do café da manhãzinha.

terça-feira, 26 de março de 2013

Bagamoyo


Trata-se de cidade de trezentos mil habitantes ligeiramente ao norte de Dar es Salaam. Foi a primeira igreja católica na costa leste africana, bem como um dos mais importantes portos de slave trade. Depois de três ônibus lotados e um ferry só pra chegar lá, era difícil compensar o perrengue. Compensou bonito. Graças ao guia que o acaso colocou na frente de três gringos perdidos no meio de Bagamoyo: eu, a alemã e uma queniana.

Caindo de paraquedas na estação rodoviária, fomos atrás de um banco, pois Maggie (proveniente da minha próxima morada, Nairobi) precisava cambiar um money. Na fracassada busca, o guia nos encontrou. No estilo “não é necessário pagar, mas vou tirar todo o seu dinheiro no final”, ficou nos dando direções e “fondo, fondo” acabou que foi pelo dia inteiro.

A jornada foi iniciada pelo museu de Bagamoyo, que embora possua apenas três ambientes e cômodos diferentes, possui mais informação do que o Museu Nacional da Tanzânia. Primeiro o comércio de escravos rolando solto até pleno século XX. Iniciado pelos árabes e continuado pelos alemães até a retomada britânica, chega a dar uma “compreensão” do preconceito ao Mzungu, que sempre que deu as caras no continente veio pra aloprar tudo e todos.

Ao mesmo tempo em que os alemães construíam escolas e hospitais, escravizavam a população local. A história de Bagamoyo é parecida com a de Zanzibar, mas com uma diferença fundamental. Quando a intervenção inglesa tomou lugar, a cidade tornou-se um porto seguro para ex-escravos, com as primeiras colônias de liberdade do país. Um lugar pra que o escravo liberto pudesse recomeçar (ou começar) a vida.

Saindo do museu, fomos à praia e vi uma de duas cenas que exigem maiores explicações. Num cenário espetacular, algumas mulheres rezando ao pé da cruz que fica perto do mar. Se elas estão agradecendo, o que agradecem? E se estão pedindo, pelo que pedem? As ambições e orações destas senhoras certamente seguem marés muito diferentes daquelas que se costuma praticar. Exercício do dia: decifrar a cabeça das madames.

Por falar em cruz, ia me esquecendo de dizer um fato extremamente curioso. No museu, existe um livro com a história do catolicismo em quadrinhos. Nessa história, Jesus é representado por um cidadão negro. Bacana! De repente pra aproximar a religião da realidade local, os padres missionários da época passaram as lições e pregaram a sua fé com uma representação negra enquanto pessoa. Ponto pros missionários. Agora reparem que o peito do pé de Pedro é preto. De verdade.

Seguindo pela praia, sempre espetacular, chegamos a um dos mais importantes portos pesqueiros nacionais. Não era nada demais, mas como a cidade vive basicamente da pesca, quem não sabe pescar lá não pode viver. Presenciei um leilão de peixes com arraias e peixes-agulha. Até chegar no lugar em que ocorreu a segunda situação do dia.

Tirando a foto ao lado, ouvi alguns dizeres em suaíle que pareciam raivosos e dirigidos a mim. Como Maggie fala suaíle (mesma língua no Quênia), me contou o que foi dito pelo cidadão. “Esses europeus vem pra cá, tiram as fotos e vendem no seu país. Depois nunca mais aparecem”. Faz sentido, uma vez que algumas pessoas realmente tem esse comportamento. O detalhe é que os rebeldes contrários ao governo alemão eram enforcados aí.


Parti ainda às ruínas de Kaole, que um dia foram duas mesquitas e um cemitério islâmico datados do século XIII. Existe uma natureza fora de série ao redor que dá um clima de calmaria danado ao ambiente. Previamente cansado pela jornada de cinco horas de retorno à residência (justificando o atraso nesta publicação), tive que trocar o ônibus da volta no meio do trajeto porque o pneu do amigo estava quase saindo, desesperando os passageiros. Caminha dura que segue! Boa noite!


segunda-feira, 25 de março de 2013

Santuário

Tem vezes que as coisas ficam complicadas. De vez em quando, depois de se ver tanta coisa, perde-se um pouco a motivação de enfrentar os problemas porque o “monstro” é muito grande. Esse gás volta depois de um tempo. Principalmente depois de passar um bom tempo no santuário, conhecido também como Kipepeo Beach.

Apertou? Praia neles. Os tanzanianos dão nomes diferentes a pedaços diferentes da mesma praia. É como se numa mesma faixa de areia, por exemplo Copacabana, se tivesse Praia de Santa Clara, Praia de Figueiredo de Magalhães, Praia da República do Peru. Não faz sentido nenhum, mas alguns destes balneários são de propriedade privada. Daí a distinção.

Kipepeo custa cinco mil pra entrar aos finais de semana, com consumação. Durante a semana é zero oitocentos. Lógico que à brasileira, a tática é entrar pela lateral, terreno baldio, e pegar uma mesinha no esquema gratuito. Que me perdoem os proprietários, mas cobrar cinco mil shillings (mais do que duas refeições) só pra pegar uma mesa não dá não.


Acontece que a água morna do Oceano Índico é sensacional e tem umas três tonalidades diferentes de azul. Pra melhorar o cenário, uma calmaria sem fim. Nada de muitas ondas. Mentalizou? Agora imagina uma natureza surreal ao redor, com menos de cem pessoas na areia mesmo durante os finais de semana. Bem-vindo a Kipepeo Beach.

A fórmula é quase de miojo. Trinta minutinhos dentro do mar (com um ligeiro medo de tubarões, como sempre) e pronto. Pode sair da água renovado e sem maiores preocupações. A praia privada ainda conta com instalações de segundo mundo bem superiores às presentes na casa que habito. Então praia é sinônimo de alegria e bem estar em todos os sentidos.

Aprendi há algum tempo atrás algo que não sabia devido ao background urbano. Como existem diversas galinhas em volta da casa e ao redor de Kibaoni (bairro), perguntei a um local como eles sabiam quais aves eram de propriedade de quem. A resposta foi surpreendente: as galinhas sabem. Quer dizer que o bicho pode ficar solto o dia inteiro que no final do dia vai se recolher pra sua morada. Bacana.


Ninguém rouba galinha do outro porque existe uma crença popular dizendo que aquele que confiscar uma galinácea que não de sua propriedade irá passar mal e morrer. Não duvido de mais nada de cá. Ciente dessas circunstâncias, bolei um plano mirabolante. Vou comprar um galo e soltar ele no meio do nada. Ninguém jamais saberá que é meu e ele não vai ter pra onde ir, intrigando toda a população. Quanta maldade.

domingo, 24 de março de 2013

Os Tribalistas


Depois de ficar literalmente o dia inteiro sem luz, nada mais adequado do que escrever sobre hábitos culturais excêntricos de povos indígenas que habitam as terrinhas tanzanianas. Aprendi sobre tais comportamentos com os locais daqui, bem como com algumas figuras e ilustrações que vi no Museu Nacional. Tenho certeza que vários amigos se adaptariam a essa maneira de viver.

O que mais me chamou a atenção foi uma “poligamia” legalizada. O homem da tribo Maasai pode se casar com apenas uma mulher. Tudo normal até então. Acontece que quando o camarada tira sua lança da porta pra ir trabalhar, qualquer outro amigo está autorizado a fincar a própria lança na entrada da residência do ausente. E por fincar a lança entenda-se pacote completo. Cama, mesa e banho.

Ih, mas o cara voltou no meio do dia! E agora? Espera o que estiver lá dentro acabar de fazer o que ele quiser fazer, pacientemente na porta de casa. Acabou, cumprimentam-se amistosamente e vida que segue. Ao mesmo tempo em que dá pra sair traçando toda a população tribal feminina, sua esposa pode ser mais rodada do que caminhão velho.

O maridão cansou. No meio do dia, não tá mais querendo andar. Sua mulher pode carregá-lo nas costas, é claro! Pelos hábitos Maasai (a tribo mais famosa da Tanzânia), uma das formas da mulher agradar o seu digníssimo é carregando o sujeito nas costas, num lindo ato de amor. Também é de bom tom que a cidadã ajoelhe-se ao entregar qualquer coisa pro marido, num belo gesto de sujeição. E ajoelhou, vai ter que rezar.

Makonde
Na tribo dos Makondes, sudeste tanzaniano, várias celebridades se acostumariam com o estilo de vida. Um dos maiores sinais de amor e companheirismo é baixar o pau na esposa. Isso mesmo. O homem deve mostrar o seu amor enchendo a mão na cara de sua companheira, sem dó nem piedade. Além, se ele não fizer isso, a mulher irá chorar por acreditar que há algo errado no seu matrimônio.

A mulher grávida não pode ser preguiçosa. Deve andar pra cima e pra baixo fazendo tudo que deveria fazer caso não estivesse à espera de um bebê. O único cuidado que ela tem que ter é com bruxaria, pro bebê nascer saudável. O menino depois de nascido ainda tem que pegar um pedaço de carne dentro da fogueira pra aprender que o fogo é perigoso com o seu focinho.

Alguns desses hábitos vem sendo extintos com o passar do tempo, pela integração cultural e inserção urbana das tribos indígenas. Ainda, vários estão ativos até hoje. Então provavelmente durante a leitura desta publicação, algum malandro está com a lança plantada na porta do seu vizinho. A lei é: não só cobiçarás como concretizarás a mulher do próximo. Pior pro próximo.

sábado, 23 de março de 2013

HIV Positive



A situação da AIDS na África é um problema conhecido por todos. Na Tanzânia, estima-se que duas milhões de pessoas possuam o vírus HIV. Isso significa aproximadamente 8% de toda a população e um número bastante alto pros padrões mundiais. Por isso mesmo, o convívio com pessoas portadoras do vírus é extremamente pacífico. Vale a pena dar uma lida na imagem acima.

Não é “assustador” falar ou cumprimentar com alguém com AIDS. Falar da doença por aqui é algo tão natural que nem causa espanto ou nada do gênero. Se por um lado, tornou-se comum comentar sobre AIDS pela epidemia devastadora no país, por outro, é extremamente benéfico tratar o indivíduo portador do vírus com igualdade e respeito, independentemente de qualquer condição de saúde.

Outro dia mesmo rolou uma interação homem e mulher aqui na casa entre dois locais e um deles “brincou” dizendo que era HIV Positivo, pra tentar causar algum espanto na parceira. A menina até fez uma cara mais séria, mas depois levou numa boa a piada. É tão natural o assunto que se torna esquisito o oposto (estranhar o camarada com AIDS).

Na visita ao Museu Nacional, existe uma parte dedicada só a precaução e prevenção da doença, por ser um problema dessa dimensão. O que é muito bacana, porque parece que há uma campanha grande governamental de conscientização, estabilizando os números da doença na Tanzânia. Usual ver pessoas com AIDS pedindo dinheiro nas estações do ferry.


Esther (voluntária da AIESEC) fez aniversário. Brincando de contar o melhor e o pior aniversário, outra menina disse que o pior aniversário da vida dela foi aos onze anos. Cinco dias antes, sua melhor amiga, portadora do vírus, contraiu uma gripe e veio a falecer. Depois dessa história, qualquer aniversário tornou-se o melhor do mundo, mesmo aquele tenebroso que não se gosta de lembrar.

Julguei valer a pena falar separadamente sobre AIDS por dois motivos: primeiro porque o contato aqui é comum e natural, e não há o que se temer. O contágio ocorre pelo sangue e ser preconceituoso ou ultracauteloso não é de qualquer ajuda pras pessoas portadoras do vírus. Em segundo lugar, a importância de se implementar um sistema de combate à proliferação da doença que vem sendo feito, evitando a morte de diversos populares.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Mwenge Market


Além de buscar minha Constituição autografada, deu tempo de trocar um dinheiro e rumar ao mercado cultural mais sensacional da costa leste africana. Com uma diversidade de encher os olhos, dá pra encontrar tudo (e negociar tudo) que a África pode fornecer.  De chinelos a objetos de decoração, brincos ou panos de mesa, comprei uns presentinhos (prepare-se família). Pra você não.

Quando se chega em Mwenge, a primeira pergunta é a nacionalidade. Saiu a palavra Brasil da minha boca, virei o Ronaldinho, o Neymar, o Ronaldo, o Romário, o Neymar de novo e por aí vai.

Pela infinidade de pequenas lojinhas e como a fome de vender qualquer troço é grande, os locais caem em cima como se você fosse o filho do Bill Gates com o Warren Buffet. Não que tanto seja necessário, porque os preços não são nem um pouco exorbitantes, ainda mais depois da negociação. Haja gogó pra se chegar a um denominador comum.

Só há um dilema. Sabendo que haverá conversa sobre o valor, o primeiro preço proposto é “lá em cima”. A pergunta é: aceitar a imposição reajustada com a “taxa gringo” porque a nova cifra continua sendo bastante pequena ou negociar pra não sair de trouxa e diminuir ainda mais a receita dos vendedores que já não lucram isso tudo?

O que incomoda mesmo são os argumentos. Depois de se tornar “my brother” com todos os vendedores, a frase mais usada é “i’m hungry, you have to support me”. Numa mistura de raiva pela profundidade do argumento (nem tão verdadeiro assim) e pena pela situação, acabei levando algumas quinquilharias que não compraria nas CNTP.

Pequenos incômodos à parte, o mercado é realmente sensacional. A negociação chega a ser engraçada caso se entre na pilha dos comerciantes. Sempre tomando o cuidado pra não pedir um preço que, caso comparado o produto com de outra loja, continuaria superfaturado. Não adianta nada pedir dez mil shillings pra algo oferecido por trinta se o valor é cinco. Perde ou perde.

No final das contas, adquiri um bocado. Espero que os presentinhos agradem. Não é nada demais, até porque esse não é o objetivo da viagem, mas ficou bacana. Lancei dois posts hoje porque falta apenas uma semana pra deixar as terras de Dar es Salaam. Devo fazer isso mais vezes porque ainda tem muita coisa pra escrever. Meu primeiro destino é no norte, Kilimanjaro! Já com saudades de cá. Damn.


Juridiquês


Fiz o jogo de João-sem-braço pra entrar no Parlamento e fui barrado em suaíle por um guardinha do local. Ele me disse que era possível entrar, mas que teria que marcar dia e hora. Esse agendamento deveria ser feita em outra guarita, que fui à procura. Pra minha infelicidade, não localizei a outra guarita do Parlamento. Pra minha máxima felicidade, achei a entrada da Comissão de Direitos Humanos da Tanzânia.

Na tentativa de entrada, fui permitido. Soube que ali funcionava não apenas um centro de pesquisa de Direitos Humanos, com biblioteca extensa e profissionais capacitados, como também um local pra se reclamar sobre qualquer situação passível de violar Direitos Humanos. Ainda ganhei um tour guiado pelo prédio, sob o comando da bibliotecária.

Quem não chora não mama e tratei de pedir um exemplar da Constituição da Tanzânia, que pretendo utilizar como objeto de estudo posteriormente. No mesmo instante, fui conduzido a uma sala e conheci alguns companheiros de profissão. Um deles me recepcionou anotando o endereço de ninguém mais, ninguém menos que o “senhor seu” Advogado Geral da União.

Cabe frisar que as roupas eram extremamente inapropriadas e confesso que me assemelhava bastante com um habitante de logradouros públicos (leia-se mendigo). As visitas de caráter jurídico não estavam planejadas, então fui com as vestes que portava. Demorei pra achar o prédio da AGU, que na verdade era um segundo andar inteiro de um edifício à beira ferry.

Ingressei no recinto e não achei a pessoa indicada pelo advogado de Direitos Humanos para me presentear com a Carta Maior nacional. Sem aceitar a derrota, parti rumo ao bibliotecário da AGU, que prometeu trazer a Constituição atualizada no dia seguinte, vulgo hoje. Cheiro de vitória no ar e Constituição da Tanzânia em mãos pela manhã.

No prédio da Comissão de Direitos Humanos, ainda entrei na cara de pau na sala de reuniões. Um dia quem sabe eu sento naquela cabeceira. Consegui mais cedo alguns exemplares de livros de Direitos Humanos na África. Caso seja do interesse de alguém, podemos brincar de violar alguns direitos autorais e copiar tais livros, uma vez que são dificílimos (senão impossíveis) de se achar pelo território pátrio.

A jornada inesperada rendeu frutos incríveis e histórias inacreditáveis. Ser convidado a conhecer o prédio da Comissão de Direitos Humanos, todo o escritório da AGU e ainda presenteado com uma Constituição autografada (isso mesmo) não é pra boi dormir. Pequenos achados como esses dão ainda mais vontade de seguir adiante. Vamos que vamos que o show não pode parar.