quinta-feira, 16 de maio de 2013

Pole Pole


Significa devagar em suaíle. Esse é o ritmo que levam alguns dos quenianos. Não no centro da cidade, onde impera o caos e a desordem. Nem na hora de falar, porque são umas belas matracas. Mas fiquei dependendo de Erick me mandar os custos equivalentes à primeira fase do banheiro e estou esperando até agora. O que significa que o início do banheiro atrasou.

Essa situação é realmente muito chata. E olha como é engraçado. Escrevendo essa publicação, acabo de receber a mensagem com a primeira fase estimada em oitenta e cinco mil shillings (uns mil dólares) para entregar amanhã, visando a compra de materiais e custos de trabalho. O que significa que tomorrow mesmo começa o banheiro e uma bela reviravolta no que eu ia escrever. Espetacular.

Continuando com a novela de ontem, se resolveu da seguinte forma. Depois do surto que tive ao contemplar todos os problemas juntos, falei com o pessoal da AIESEC se seria possível me mudar da casa, por não aguentar mais conviver com tanta trapalhada. Com argumentos bem fundamentados, providenciaram a minha mudança pra amanhã.

Acontece que ao mesmo tempo em que eu quero sair, mudar de casa pode ser um perrengue danado. Readaptação à rotina da casa, ao ambiente, bairro, companhias e funcionamentos é complicado, fora o transtorno de empacotar tudo só pra desempacotar a alguns quilômetros daqui. Por isso, tive uma rápida conversa com os habitantes do prostíbulo e os assuntos foram razoavelmente resolvidos.

Pra completar, uma reunião envolvendo todos os intercambistas da casa e o administrador selou a paz de volta ao ambiente doméstico. O clima ficou bem bom depois disso e alguns até saíram pra comemorar e curtir a quinta-feira. Fizeram até alisamento no meu cabelo, mas corri pra debaixo do chuveiro pra voltar às madeixas ao estado original. Guapo.

O dia foi relativamente parado. Atualizei algumas planilhas, editei alguns vídeos e só saí pra sacar dinheiro pro projeto nos caixas eletrônicos longe daqui. Amanhã vou ter que transportar uma quantidade grande de dinheiro e ainda parar na cidade pra sacar mais. Que Papai do Céu fique de olho porque a causa é nobre. A malandragem não pode nem aparecer.

Sem mais delongas, atualizo: R$11.323,60. Tá bom ou quer mais? Quer mais? Então vambora!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A Gota D'Água


A campanha vai excepcionalmente bem. Toda a experiência africana tem sido de um conhecimento ímpar. Eu tenho milhões de motivos pra estar sorrindo, mas ainda assim, algo incomoda. E mesmo no meio de tanta paz e tanta alegria, uma pontadinha de insatisfação pode ser chata demais. É como se eu estivesse comemorando um título de Copa do Mundo e uma abelha viesse perturbar bem na hora do apito final.

A proprietária da casa em que moro fez um acordo com o pessoal da AIESEC de cá pra que os intercambistas pudessem pagar um preço bem mais em conta com direito a café da manhã, jantar e uma senhorinha mandando ver nas roupas uma vez por semana. Até aí, maravilha. Comida, cama e roupa lavada.

Infelizmente, a minha insatisfação com os outros intercambistas não é de hoje. Primeiro pela ideologia mequetrefe que se encontra em qualquer esquina. Não vieram pra cá ajudar, vieram cumprir mil objetivos pessoais em primeiro plano pra depois lembrar que estão aqui por isso. Não posso fazer nada quanto a isso a não ser conviver em paz.


Acontece que alguns destes indivíduos alopram a harmonia da casa e como ninguém tem disposição de tomar a frente e reclamar, seja o pessoal da AIESEC ou os administradores da residência, o Bruno vira o cara chato e reclamão pra qualquer assunto. E se tiverem que reclamar com alguém, o Bruno que pediu. Então o Bruno é gente boa, mas irritadinho com qualquer assunto.

Claro, sem dúvidas eu sou fresco. Alguns exemplos: o assento do vaso sanitário foi quebrado; o meu sabonete sendo usado por outros; “feze”, no singular mesmo, aparecendo no rolo de papel higiênico supostamente limpo; a galera sem qualquer noção de higiene chegando suada e fedendo feito porco, se espalhando nos móveis; geleia à beça no pote de manteiga, etc.

Ah, normal Bruno, acontece. Claro, acontece. Vamos subir de nível? O camarada trazendo prostituta pra dentro de casa; chegando bêbado feito gambá, perturbando os outros e quebrando as coisas; a cidadã que no primeiro dia de Quênia caiu dentro do moreno e agora traz o amigo pra jantar da minha comida dia sim, dia também, etc.

Ok, mas por que isso agora? Pelo seguinte episódio: fui sair de casa pra sacar dinheiro pro projeto (amanhã começa o banheiro, lembra?) e na porta, fui abordado pelo camarada que disse trazer a meretriz pra dentro de casa de novo e não queria nem saber as regras. Depois de ter dado uma bonita surra argumentativa no nórdico que não teve o menor respeito ou educação, aceitei (transtornado) botar a menina pra dentro da casa.

Voltando, entro em casa e sou obrigado a ficar na sala, já que o amigo se encarregou de ir direto aos aposentos para fornicar, sem nem dar boa tarde. Assim, ficou Bruno sentado no sofá, raivoso, esperando o digníssimo finalizar seu acasalamento no mesmo quarto que guardo todos os meus bens e pertences. Bacana, né?


Por todo o exposto, vou me mudar, é sério. Tem outra casa da AIESEC pra ir, fiquem sossegados. Já que eu sou o reclamão e estou começando a ficar incomodado inclusive comigo mesmo, por saber que estou chato (sem escolha), os incomodados que se mudem, certo? Se não dá pra botar ordem no prostíbulo, a solução é partir pra outra residência. Cenas dos próximos capítulos em breve que agora eu to até com dor de cabeça.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Barriga Cheia


Existe uma piada (pesada) que diz que Papai Noel não passou pela África porque criança que não come não ganha presente. Não seja por isso, natalino. Pode vir e vem voando! Hoje, nós (eu e todos vocês que contribuíram) conseguimos garantir a alimentação de cento e sessenta crianças pelos próximos dois meses com quatrocentos e trinta e dois dólares. E isso é só pra começar.

Arrumei com dois professores da Childrock de irmos todos atrás de todos (sim, todos) os livros didáticos necessários para as crianças, todas as matérias e todas as séries, na sexta-feira. Portanto, nessa sexta mesmo, podem esperar fotos de material escolar à beça. Acabou? Claro que não. O bonde não para e o show tem que continuar.


Visitei também o local em que o banheiro será erguido, começando nesta quinta-feira. O seguro morreu de velho e a demora se deve ao grau de exigência altíssimo que impus aos administradores do colégio. Quer fazer? Vamos fazer. Mas vai ser do meu jeito. A obra será dividida em etapas ou fases, pra garantir que o dinheiro entregue corresponda ao cumprimento de X metas ou à compra de Y materiais.

A foto do local (com Erick, o diretor) é essa e os ambientalistas nem se movam das cadeiras, porque o rio não servirá como depósito de dejetos e nem se tornará o Piscinão de Ramos do Quênia. O alto custo da obra se deve tanto à conexão das fossas ao sistema de esgoto da cidade quanto à necessidade de elevação do toalete pra que não fique na altura do rio, sujeito à destruição causada por cheias e enchentes.

Preciso compartilhar o que aconteceu de mais maravilhoso no dia. As crianças fizeram uma festa pra comemorar a existência de comida pelo período contínuo de dois meses. Das milhões de lições que podem se tirar desse fato, fica pra os privilegiados do mundo (nós) ao menos a mais evidente delas: a gratidão imensa por ter alimentos todos os dias na frente da mesa.

Voltando pra casa com a energia a mil, conheci Amós, que pela bíblia, significa o “carregador de fardos”. Esse menino de dezenove anos, trabalhando como guarda de prédio pra faturar o seu pão, tirou B- no vestibular queniano e não se qualificou pra medicina, seu sonho. Viemos conversando porque ele não me pediu comida, dinheiro ou algo parecido, mas uma bolsa de estudos.

Peguei o seu telefone e disse que tentaria arrumar alguma forma de patrocínio por organizações que vivem de fazer esse trabalho. Se alguém souber de alguma forma pra mandar esse rapaz pra faculdade de medicina, ainda que fora do Quênia, por favor se manifeste. Parece pouco, mas mudar a realidade de uma pessoa pode significar mudar a realidade de várias no futuro.

Voltando ao ritmo das comemorações e celebrações, a meta de dez mil reais foi superada. Isso mesmo. Se na última atualização tínhamos R$9.273,82, a cifra agora é essa: R$11.073,82. Onze mil reais que equivalem a pouco mais de U$5.000,00 (cinco mil dólares) na cotação de 2,14 (padrão do cartão internacional). Contamos com todos vocês que tá bonito de dar gosto! Parabéns a todos!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Apartheid Às Avessas


Enquanto estive na Tanzânia, escrevi um pouco sobre essa sensação nada agradável de ser um Mzungu (menino branco) por lá. Toda a repressão do período colonial (até 1950 e poucos) se inverteu e o oprimido virou o opressor.  Não tem vez quem é branco, que será analisado, discriminado, cobrado além do valor verdadeiro, insultado (eventualmente) e por aí vai.

Lógico que não é sempre assim. Existem aqueles mais iluminados que defendem os Mzungus, porque sabem que o caminho não é por aí. Então dá pra encontrar gente do “seu lado”, embora a mera existência de “lados” seja completamente imbecil. Depois de um tempo, acostuma-se à mentalidade e vira algo incômodo mas, infelizmente, normal.

Pelo menos o governo não apoia essa segregação. Não? Pois é, apoia sim. Hoje passei no Museu Nacional e a tabela de preços era a seguinte: Quenianos (300 Shillings), Negros (700 Shillings), Brancos (1.500 Shillings). Essa cara que você provavelmente está fazendo é a mesma cara que fiz na hora. Só pode ser pegadinha. Sérgio Mallandro, pode sair de trás do balcão fazendo “Glu Glu Ié Ié”.

Essa atitude não se limita apenas ao Museu. Não foi a primeira vez (e nem será a última) que vi gente cobrando mais caro de brancos. Aliás, essa prática é amplamente difundida. O Mzungu é visto como se fosse um tesouro ambulante, sempre “disposto” a pagar cinco vezes mais por uma lata de leite em pó ou um cinto. Este que comprei em Dar es Salaam e paguei cinco vezes o preço.

É “compreensível” que os populares tenham essa ideologia do branco colonizador e rico, mas daí a política estúpida de separação ser incentivada por atos do governo é um absurdo sem eira nem beira (afinal, o Museu é administrado pelo governo). Nada que umas aulinhas de Direitos Humanos e uns anos de apoio externo (sincero e sem más intenções) não resolva.

Pra falar de coisa boa, fiz o primeiro saque pra investir no banheiro e na comida. O diretor não pôde ir ao colégio e me ligou dizendo que as crianças não tem se alimentado adequadamente porque a receita da comida está perto do fim. Com isso, amanhã mesmo vou dar um upgrade nesse almoço com 50.000 (cinquenta mil shillings), coisa de 620 dólares. Não adianta nada comprar livros se as crianças não estiverem mais lá.

Ainda fui fazer um exercício e dar uma corridinha. Como estou na altitude e com o joelho todo bichado, o desempenho foi vergonhoso. Sorte que adquiri uma corda aqui pra pular além da corrida, numa tentativa de compensar o atleta das “pistas” (de asfalto e terra). Não estou mais desnutrido como na Tanzânia, pelo contrário. To compensando os perrengues no (fraco) jantar e tome feijão.

domingo, 12 de maio de 2013

A Benção, Mãe


Muita gente me diz “sua mãe deve estar sofrendo com essa história de África”. No começo, devo concordar que a digníssima melhor do mundo penou e teve que deglutir o pão que o diabo amassou. Ainda com aquela imagem perigosa, o “bebê” (no caso, eu) foi se meter no meio das doideiras do continente africano.


“Tem guerrilha lá, filho”? “E se eles te pegarem, filho”? “Meu filho, e se você for atacado por um leão no meio da cidade”? Perguntinhas baseadas em fatos reais que tive que ouvir que dona Fernanda, paixão da minha vida. Um bocado sem noção também, mas tá valendo. Pelo menos saímos do “leva o casaco”, “se alimenta” e “toma remédio”.

Ah, saudade. De vez em quando meio (muito) exagerada, ansiosa, nervosa, preocupada, superprotetora (e como). De vez em sempre parceira, companheira (da viola), amiga, professora (e aluna), referência e paixão. Minha mãe, se desse pra dizer quanto te amo, dizia. Não dá. Você é a melhor do universo, porque melhor do mundo tá cheio.

Dizem que mãe precisa “dar a luz” duas vezes. A primeira, quando o filho nasce. Aí vem aquele bebê lindão (no caso eu, de novo), com uma carinha bonita de joelho e dali em diante, um amor que não se explica. Pros dois lados, imagino eu. A mamãe Fernanda bobona, lambendo a cria que nem leoa. Bebê Bruno sem entender nada, perdidasso nesse mundão de meu Deus.

A segunda vez é na “desgarrada”. Aquela hora que a cria sai de casa e vai descobrir o mundo, fazer a própria vida, profissionalmente e pessoalmente. Trabalha, se casa, viaja. E a mamãe fica lá, torcendo, rezando, de arquibancada. Sorrindo, sofrendo. Vibrando, chorando. Ah mãe, que saudade de você. Vou te agarrar feito carrapato no aeroporto, se prepara.

Mãe, nunca vamos nos desgrudar. Por ser minha melhor amiga, estaremos sempre juntos, tá? Quero que você saiba que tenho um orgulho imenso de ser seu filho e ter você como mãe é um privilégio inigualável. Sei que você sabe disso, mas não custa nada reiterar sempre que possível. Ainda mais publicamente. Pode parar de chorar que acabou.

A equipe Dreaming Africa (no caso, só eu de novo) manda um beijão pra todas as mamães do mundo que tem seus filhos criando a vida e saindo pelo mundo afora. Não é mole não. Ainda que mundo afora signifique logo depois da porta de casa. Difícil vir pra África? Difícil é ser mãe. Pra comemorar, atualização: R$9.273,82! Não para não! Ah é, Feliz Dia das Mães!

sábado, 11 de maio de 2013

Alice Que Disse

Parece coisa pouca, mas gerenciar toda a campanha exige todo o tempo do mundo. Até quando dá pra relaxar e não tem nada (urgente) pra fazer, fica aquela sensação de que o tempo de lazer poderia estar sendo aproveitado para desenvolver um novo método de arrecadação, uma forma diferente de divulgar ou apenas para organizar a “casa” (planilha, conta e próximos passos).

Demorei na publicação hoje porque fiquei o dia inteiro em função da edição do primeiro vídeo de agradecimento da Childrock, conforme prometido. Sempre dá pra ficar um pouquinho melhor e essa mania do perfeccionismo me consumiu até atingir a forma desejada. Sem mais delongas, apresento a vocês, em primeira mão, o resultado final:



Obs. Esse vídeo é diferente do vídeo que publiquei no Facebook por questões do YouTube.


Alice é um bebê de apenas um mês de idade que contou com a ideia brilhante dos seus pais de aderir à causa e obter o vídeo (para ela) como contrapartida. Assim, ela vai crescer sabendo que se compromete com causas sociais desde pequena, incentivando e instigando o desenvolvimento dessa “humanidade” numa minipessoa maior que gente grande. Genial.

A demora pra saída do vídeo foi pela confecção de um padrão bacana que vá chamar a atenção de quem já contribuiu e de quem ainda quer (e vai) contribuir. Portanto, vídeo da brilhante Alice será referência pros próximos que virão, mudando a música, a citação e claro, a dedicatória da criança da Childrock. Pode falar, eu sei. Ficou maravilhoso.


Aliás, recebi muitas contribuições sem nome e sem o e-mail que pedi com o comprovante. Galerinha, não tenho como saber quem são vocês (em alguns casos) se não acontecer esse e-mail providencial. Como consequência, não serei capaz de fabricar o vídeo tão desejado e esperado pelo adorável público brasileño. Por favor camarada, se identifique!

A ansiedade de colocar o projeto em prática a partir de segunda-feira me consome feito verme. Por falar em verme... melhor não, deixa pra lá. Voltando, organizei toda uma logística pra retirar o dinheiro em segurança e levar até as mãos ou lojas ou produtores alvos. Eu que não sou muito de foto to contando as horas pra minha picture com o banheiro, livros, comida, uniformes, armários, tinta, etc. Viva e verá.

Fora isso, uma boa sexta-feira pra todos e que sejam felizes. Era pra essa publicação ter saído ontem a noite, mas a eletricidade me fez o favor de acabar na hora de lançar online. Então, queria propor um desafio que quero ver quem vai topar. Pra cada bebida consumida, o equivalente (ou até a metade) deverá ser doado como contribuição pra Childrock e pro nosso projeto. Quem topa? A receita atualizada está em R$8913,82. Isso mesmo. Oito mil novecentos e treze reais e oitenta e dois centavos. Sorria!



quinta-feira, 9 de maio de 2013

Voluntário Involuntário

O lance do roubo não passou em branco. Apesar de ter dito que foram apenas um shampoo e um desodorante, sumiram também cento e cinquenta euros e algumas pílulas de cafeína. Não parece ser nada demais, mas ter a sensação de insegurança no que deveria ser o seu porto-seguro não é nem um pouco bacana. Claro que comprei a briga e o ambiente da casa vai de mal a pior.

De tão desgostoso da residência, estou até reclamando com quem passou a faca da geleia na margarina e lambrecou o pote. É bobagem sim, mas parto da triste teoria de que não custa nada cada um agir pensando no bem-estar e no conforto do outro. A situação está crítica e suspeitar de tudo e de todos é insuportável de chato.

Não é vergonha nenhuma falar que me sinto só. Como nem só de alegrias se faz um intercâmbio, me decepcionei demais com todas as pessoas do Quênia. Intercambistas e da própria organização. Talvez um pouco por culpa minha, criei uma expectativa grande de que conheceria pessoas diferentes, com mentalidades diferentes e atitudes diferentes.

O ocorrido foi pela linha contrária. Pessoas com a mesma mentalidade vazia de farrear, encher os cornos de álcool e outras drogas, ouvindo as mesmas músicas, seguindo as mesmas tendências e tendo a mesma opinião. Não tenho nada contra o gosto particular de cada um. O que me incomoda é ver indivíduos alienados e sem qualquer forma de autoconhecimento.

Explico: é possível que no final das contas aquele cara realmente goste de música eletrônica. Mais do que possível, é provável que ele nunca tenha se questionado se esse é o seu gosto. Dessa maneira, as pessoas seguem tendências e compram ideias de felicidade que vêm “prontas”. É só abrir o seu “pacote alegria” pra gostar do que todo mundo gosta, ambicionar os mesmos objetivos e sonhar o mesmo sonho. Parabéns cidadão, você oficialmente não possui um traço de personalidade.

Entre mortos e feridos, não conheci uma alma disposta a dar o sangue pra fazer a diferença. Não me refiro ao pessoal da Childrock, que dão a vida pelo trabalho há mais de dez anos, mas às pessoas da AIESEC (de cá, as do Rio são espetaculares) e intercambistas que vem aqui de sacanagem, porque é bonitinho ou pra tirarem fotos.

Acaba sendo o voluntário involuntário. Para os intercambistas: qual a lógica de se comprometer com um trabalho, principal fator pra trazer a pessoa aqui, se essa motivação se torna a número quatro ou cinco? Brincadeira isso. Para o pessoal da AIESEC: qual o sentido de trazer estrangeiros se o impacto causado não é a missão principal?

Pelo menos a solidão é alimento pra várias lembranças sensacionais. Saudades não só da família, como da família que escolhi. Superado o desabafo e um cadinho da “sozinhez”, trago notícias espetaculares! Lembra daquele orçamento surreal de U$2.200,00 do banheiro? Recebi a atualização que pedi pro diretor da Childrock e fomos pra incríveis U$1667,31! Bem mais razoável, certo?

Ciente dos valores exatos pra iniciar o banheiro, providencias serão tomadas nos próximos dias. Como o banheiro era minha prioridade, eu precisava saber exatamente quanto gastaria pra poder administrar o restante sem prejudicar a obra. Assim, semana que vem com certeza teremos livros, progressos da obra e demais investimentos!

Pra fechar, vocês são incríveis! Depois de uma arrecadação linda ontem, hoje não ficou pra trás. Com isso, o nosso caixa passou de R$6.994,00 para increíbles R$7.760,60! Lembrem-se que após a contribuição, o projeto ganha um pedacinho de vocês e passa a ser sua iniciativa também. Extratos, planilhas e explicações, só pedir, sem problemas! Let’s GO!